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Conferência do Ibracon debateu o futuro da atividade de auditoria independente

02/07/2018
Conferência do Ibracon debateu o futuro da atividade de auditoria independente

Questões relacionadas a riscos cibernéticos, novas tecnologias e futuro da profissão foram alguns dos destaques na 8ª Conferência Brasileira de Contabilidade e Auditoria Independente

O evento, promovido pelo Ibracon - Instituto dos Auditores Independentes do Brasil recebeu mais de 800 participantes na edição deste ano, realizada nos dias 11 e 12 de junho, no Teatro Bradesco, em São Paulo.

O encontro reuniu profissionais e acadêmicos renomados internacionalmente para debater a utilização de novas tecnologias e o futuro da atividade de auditoria independente. Além disso, foram abordadas questões técnicas, como os Relatórios de Auditoria, as Normas Internacionais de Contabilidade (IFRS) e as Normas Internacionais de Contabilidade Aplicadas ao Setor Público (IPSAS).

"Todos os temas que abordamos estão correlacionados e se desenvolveram em uma dinâmica muito interessante, que permitiu compartilhar com os participantes, em sua maioria, auditores independentes de firmas de todos os portes, as grandes preocupações do momento, como a questão tecnológica, os riscos cibernéticos e o relacionamento do auditor com a governança", salienta Francisco Sant'Anna, presidente do Ibracon. "É fundamental entendermos esses novos desafios para que possamos superá-los, reforçando a importância da contabilidade e da auditoria independente para as transformações pela quais o Brasil e o mundo passam".

Com esses propósitos, a programação da 8ª Conferência contemplou teoria e prática, contando com mais de 30 painelistas, dentre eles a equipe de acadêmicos da Rutgers Business School, dos Estados Unidos, uma das mais importantes escolas de negócios do mundo, sob a liderança de Miklos Vasarheyli.

Na abertura solene, compuseram a mesa, Francisco Sant'Anna, presidente do Ibracon; Zulmir Ivânio Breda, presidente do Conselho Federal de Contabilidade (CFC); e Marcelo Barbosa, presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Em suas palavras iniciais, Sant'Anna refletiu sobre o atual cenário e o futuro da atividade de auditoria independente, destacando o importante papel que o evento assume neste momento. "Esperamos que o consistente conteúdo desta conferência contribua para que vocês enfrentem com êxito os desafios de nossa profissão".

Breda, por sua vez, salientou que o desenvolvimento da contabilidade e da auditoria independente passa pela evolução tecnológica e o aperfeiçoamento dos profissionais frente a um novo cenário. "Será o fim de carreira apenas para aqueles que fecharem os olhos à educação continuada e à tecnologia". Sua opinião foi compartilhada pelo presidente da CVM, que destacou que o mercado é sensível aos movimentos profissionais de contabilidade e auditoria independente. "Não há nada mais importante para o mercado de capitais do que a informação de qualidade. Por isso, dependemos de uma atuação eficiente da auditoria independente", afirmou Barbosa.

O Futuro da Profissão

A palestra de abertura foi proferida pelo PhD Miklos Vasarhelyi, professor de Sistemas de Informação Contábil na Rutgers Business School. Ele abordou as principais questões acerca do impacto da tecnologia na área da auditoria independente. Vasarhelyi destacou a Automação Robótica dos Processos (ou, RPA, sigla em inglês) para otimizar a análise das amostras e agregar mais qualidade aos serviços prestados pelos auditores, dando um exemplo claro de como a tecnologia pode contribuir para a profissão.

Na fase de debate, Claudio Camargo, sócio-líder de Auditoria da EY, Charles Krieck, presidente da KPMG no Brasil e América do Sul, e Eduardo Camillo Pachikoski, presidente da PP&C Auditores Independentes, reiteraram a urgência do aprimoramento profissional no âmbito das novas tecnologias disponíveis no Mercado.

Riscos cibernéticos

O painel sobre a segurança cibernética no mundo corporativo reforçou a necessidade dos auditores independentes em compreender a área da Tecnologia da Informação (TI), destacando a importância desse conhecimento para assegurar a troca de dados no ambiente digital. Paula Ester Leitão, chefe-adjunta do Departamento de Regulação do Sistema Financeiro (Denor) do Banco Central do Brasil (BCB), Kevin C. Moffitt, professor de Sistemas de Informação Contábil na Rutgers Business School, e Leandro Augusto Marco Antonio, representante do Ibracon e sócio-líder de Cyber Security em firma de auditoria, apontaram questões essenciais para a gestão da cibersegurança durante debate moderado por Rogério Garcia, diretor Técnico do Ibracon.

Kevin C Moffitt dissertou sobre o desenvolvimento do trabalho dos auditores independentes, frisando a importância de se possuir referências na área da tecnologia da informação (TI) para compreender as implicações desses riscos no ambiente digital e como se proteger dessas ameaças.

Paula Ester Leitão fez um alerta sobre os cenários de instabilidade que um ataque virtual pode causar, prejudicando o trabalho e a comunicação entre instituições financeiras. "Ataques podem causar danos à confidencialidade, à integridade e à disponibilidade de informações do sistema financeiro".

Leandro Augusto Marco Antônio, sócio-líder de Cyber Security em firma de auditoria independente, apontou que o Brasil, embora ainda não seja um alvo, pode receber ataques no futuro, uma vez o que o crescimento dessas ações é uma tendência global.

Setor público – IPSAS

O painel reuniu especialistas para debater a importância de mensurar os gastos públicos e prover novas informações sobre as IPSAs (Normas Internacionais de Contabilidade Aplicadas ao Setor Público). Estas são consideradas fundamentais no momento pelo qual o Brasil passa, de uma cobrança cada vez maior por transparência e ética.

Participaram do debate, Leonardo Nascimento, coordenador-geral de Normas de Contabilidade da Secretaria do Tesouro Nacional (STN) e coordenador operacional-adjunto do Grupo Assessor (GA) da Área Pública do Conselho Federal de Contabilidade (CFC); Tiago Alves de Gouveia Lins Dutra, secretário de Controle Externo da Fazenda Nacional do Tribunal de Contas da União (TCU); Deniz Appelbaum, doutora em Sistemas de Informação Contábil na Rutgers Business School; e Ney Ribas, presidente do Observatório Social do Brasil (OSB). O debate teve como moderador Francisco de Paula dos Reis Júnior, diretor de Administração e Finanças do Ibracon.

Durante as argumentações a respeito dos benefícios da aplicação da nova norma, Leonardo Nascimento anunciou que, com a implementação das IPSAS, o Tesouro Nacional identificou um passivo a descoberto de quase R$ 2,5 trilhões.

A doutora Deniz Appelbaum, da Rutgers, destacou como funciona a relação da sociedade com a máquina pública na maior economia do mundo e por que é fundamental que haja esse controle. "Nos Estados Unidos, nós pagamos mais impostos do que gastamos em aluguel ou com alimentação", disse.

Para Ney Ribas, presidente do Observatório Social do Brasil, entidade que tem o intuito de promover mais transparência pública, prevenção à corrupção e eficiência da gestão, todo brasileiro pode ser um fiscal atuante no cotidiano. "Tudo o que tem dinheiro do contribuinte no município é da nossa conta".

Normas internacionais

A 8ª Conferência do Ibracon teve, ainda, o painel "Atualidades das IFRS", que atualizou aos presentes o andamento da implementação das Normas Internacionais de Relatórios Financeiros (IFRS), com destaque às atualizações da IFRS 17. Em sua palestra, Amaro Gomes, membro do Board do International Accounting Standards Board (IASB), indicou essa norma como modelo único voltado para o setor de seguros e como ela deve acrescentar transparência a industrias com contratos de longuíssimo prazo.

Além disso, Amaro destacou que a aplicação das novas tecnologias associadas aos padrões internacionais de contabilidade é um grande desafio, que determinará o futuro da profissão em escala global. "O 'data mining' é o 'petróleo' da atualidade. E o problema para a contabilidade é que, para a indústria de tecnologia, o grande ativo é intangível, pois fica dentro das companhias".

Jorge José Gil, representante do Grupo Latinoamericano de Emisores de Normas de Información Financeira (Glenif), fez um alerta sobre o impacto da inflação e da hiperinflação, recorrentes na América Latina, para as demonstrações contábeis. "Países cuja taxa anual supera os 8% começam a ter sérios problemas com suas demonstrações".

Também participaram, José Carlos Bezerra, superintendente de Normas Contábeis e de Auditoria da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), e Edison Arisa Pereira, coordenador Técnico do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC). Monica Foerster, diretora de Firmas de Auditoria de Pequeno e Médio Portes (FAPMP) do Ibracon, atuou como a moderadora do painel.

Novas tecnologias na auditoria

As novas tecnologias na auditoria foram tema de um dos painéis mais esperados da 8ª Conferência de Contabilidade e Auditoria Independente. Os especialistas reforçaram a mensagem de que a contabilidade está em constante atualização, mas as mudanças não estão somente entre a utilização de plataformas e ferramentas na web para análises de ativos intangíveis. Um exemplo da revolução também no ambiente físico é a inclusão de equipamentos de monitoramento remoto, que permitem o mapeamento de terrenos, rastreamento de objetos e escaneamento de dados.

Deniz Appelbaum, doutora pela Rutgers Business School, incluiu na apresentação, vídeos que demonstram a utilização de drones para agilizar a triangulação de dados para o trabalho de amostragem da área da auditoria independente, como fotografias aéreas.

Para o professor Miklos Vasarhelyi, também da Rutgers, os 'cognitive aides' ou 'decision making aides', que são robôs capazes de aprender e agir a partir de determinados padrões de comportamentos, também deverão ser a tecnologia mais aplicada na auditoria independente. "Por meio delas, as firmas poderão expandir o escopo de atuação do profissional, oferecendo novos serviços".

Auditoria e governança

O relacionamento entre os auditores independentes e os representantes das áreas de governança das empresas foi tema do debate entre os painelistas Richard Blanchet, membro do Conselho de Administração do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), Tiago Isaac, superintendente de empresas e estruturadores de ofertas da B3, e Marco Castro, membro do Conselho de Administração do Ibracon. A moderação foi de Clinton Fernandes, diretor de Comunicação do Ibracon.

Segundo Marco Castro, o tema precisa e deve ser visto como uma oportunidade para o fortalecimento do mercado de capitais. Para ele, "o papel da governança corporativa é colocar a ética a serviço da perenidade da organização. Na profissão de auditores independentes, somos um dos pilares do mercado de capitais.

"E justamente por isso, "a contratação de uma auditoria independente deve ser diligente, dedicada e analisada. Ou seja, não pode ser simplesmente por tomada de preço", analisou Richard Blanchet. Sua opinião foi ratificada por Castro, que declarou que, "na maioria das vezes em que o custo é o único fator de decisão, a escolha não dá certo".

Na ocasião, a B3 anunciou que a entidade identificou, no ano de 2018, a aprovação da instalação de quase 50 conselhos fiscais em companhias brasileiras de capital aberto. A informação foi apresentada em primeira mão por Thiago Isaac. "A discussão da diferença entre conselho fiscal e comitê de auditoria e sobre a função do conselho fiscal já está superada no Novo Mercado da B3. Isso mostra que as companhias brasileiras de capital aberto já alcançaram um grau elevado de amadurecimento", completou.

Relatório de Auditoria

O último painel da 8ª Conferência abordou o tema "Relatórios de Auditoria". Na ocasião, Adriana Caetano, gerente Técnica do Ibracon, apresentou uma pesquisa realizada pela entidade a respeito dos Principais Assuntos de Auditoria (PAAS) contidos no Novo Relatório do Auditor. Foram avaliados os conteúdos de mais de 540 companhias abertas, incluindo as 100 maiores listadas na Bolsa de Valores, identificando-se um aumento de 2,5% nos PAAs.

O painel também contou com a presença de Madson de Gusmão Vasconcelos, gerente de Normas de Auditoria da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), e Rogerio Mota, coordenador da Comissão Nacional de Normas Técnicas (CNNT) do Ibracon. Tadeu Cendón, diretor de Desenvolvimento Profissional do Ibracon, foi o moderador.
 
 


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