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De reforma tributária à inteligência artificial: os destaques do FIFE 2026

15/04/2026
De reforma tributária à inteligência artificial: os destaques do FIFE 2026

Fórum Interamericano de Filantropia Estratégica reúne debates sobre captação de recursos, tecnologia, governança e cultura de doação diante dos desafios atuais das organizações sociais

Começa nesta semana, em Olinda (PE), o Fórum Interamericano de Filantropia Estratégica (FIFE) 2026, com uma programação que reflete os principais pontos de tensão e transformação do Terceiro Setor no Brasil: da adaptação à reforma tributária ao uso crescente de inteligência artificial na gestão e na captação de recursos. Realizado pela Rede Filantropia, o encontro é considerado o principal evento de gestão do Terceiro Setor na América Latina e deve reunir cerca de dois mil participantes ao longo de quatro dias, entre gestores de organizações sociais, fundações, empresas, especialistas e financiadores de diferentes regiões do Brasil.

Antes da abertura oficial, o FIFE 2026 realiza nesta terça-feira dois eventos gratuitos que antecipam temas centrais da programação. Um deles é o Encontro Ibero-Americano de Voluntariado Estratégico, que reúne especialistas e organizações para discutir o papel do voluntariado na mobilização social, na gestão e no fortalecimento de iniciativas no Brasil e em outros países da América Latina. Também acontece o evento “Para Além da Captação: Promovendo uma Cultura de Doação no Brasil”, conduzido pelo Movimento por uma Cultura de Doação, que traz dados e reflexões sobre o comportamento do doador brasileiro e os caminhos para ampliar o engajamento com causas sociais no país.

A programação oficial também na terça-feira, às 18h, no Teatro Guararapes, com a apresentação cultural da organização Integrarte. Na sequência, o presidente da Rede Filantropia, Marcio Zeppelini, conduz a palestra Relacionamento e atitude para fazer acontecer num mundo pós-IA, trazendo reflexões sobre gestão, comportamento e tomada de decisão em um cenário de transformação tecnológica. Logo depois, a conferência de abertura fica por conta de Marcos Rossi, com a palestra “O que é impossível pra você?”. Treinador internacional e autor best-seller, Rossi é conhecido por sua trajetória de superação e por atuar na formação de lideranças em diferentes países, abordando temas como propósito, limites e desenvolvimento pessoal.

“O FIFE é um espaço onde o Terceiro Setor consegue parar, olhar para si, aprender com outras experiências e entender o momento que está vivendo. A programação deste ano foi construída a partir de questões que estão no dia a dia das organizações, para que as pessoas saiam daqui com mais clareza e mais preparo para lidar com as mudanças que o setor vem atravessando nos últimos anos”, afirma a diretora executiva da Rede Filantropia, Thaís Iannarelli.

Marcio Zeppelini lembra que os dados mais recentes da Pesquisa Doação Brasil mostram que 78% dos brasileiros ainda realizam algum tipo de doação, mas estão mais criteriosos. 83% buscam informações antes de doar e escolhem com mais cuidado as causas que apoiam. “Isso exige que as organizações estejam mais preparadas, mais transparentes e mais estratégicas. O FIFE entra justamente nesse ponto, como um espaço para apoiar esse amadurecimento do setor e fortalecer a forma como as organizações se posicionam diante da sociedade”.

Reforma tributária e contabilidade

As mudanças no sistema tributário e seus efeitos sobre o Terceiro Setor estão na programação do FIFE 2026. Em debate, estão os impactos da reforma tributária sobre a forma como as organizações se financiam, prestam contas e se enquadram nas regras fiscais, um tema que tem gerado dúvidas no setor, especialmente diante de possíveis alterações em benefícios e regimes aplicáveis às organizações da sociedade civil (OSCs).

Ao longo dos dias 15 e 16, diferentes atividades abordam desde os efeitos da reforma nas atividades de sustentabilidade das organizações até seus desdobramentos na captação de recursos. A agenda inclui ainda discussões sobre gestão tributária, compliance e prestação de contas, além de temas mais operacionais, como auditoria contábil, controles internos e contabilidade aplicada a projetos sociais.

Também entram em pauta aspectos legais mais específicos, como a Certificação de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), concedida pelo governo federal a organizações das áreas de saúde, educação e assistência social e que pode garantir isenções tributárias, além da responsabilidade de dirigentes e das implicações do Código Civil na atuação das organizações.

Tecnologia e comunicação

O avanço da tecnologia e suas aplicações no Terceiro Setor também aparecem na programação do evento. As palestras vão abordar desde a elaboração de projetos com apoio de inteligência artificial (IA) até o uso de dados para tomada de decisão, automação de processos e criação de planos de comunicação mais estratégicos. Também entram em pauta discussões sobre ética no uso dessas ferramentas, proteção de dados pessoais em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e os limites do uso da tecnologia na relação com beneficiários e doadores.

No campo da comunicação, a programação trata da construção de narrativas, posicionamento institucional e uso de estratégias para ampliar o alcance das causas. Há ainda conteúdos que discutem como transformar dados e resultados em informação relevante para ganhar visibilidade, inclusive na imprensa, além de reflexões sobre reputação, engajamento e os erros mais comuns na comunicação de organizações sociais.

Captação de recursos

A captação de recursos atravessa toda a programação do FIFE 2026. As atividades incluem planejamento estratégico de captação, elaboração de projetos, inscrição em editais e acesso a recursos públicos, como emendas parlamentares e transferências da União. Também aparecem discussões sobre captação internacional, com orientações sobre como acessar fundos estrangeiros e ampliar as possibilidades de financiamento. Ao mesmo tempo, a programação avança sobre tendências e abordagens mais recentes, como o uso de inteligência artificial e análise de dados para melhorar o relacionamento com doadores e aplicação de ciências comportamentais para estimular doações.

Governança, gestão e compliance

Os temas ligados à gestão das organizações também ocupam uma parte significativa da programação do fórum. A agenda reúne conteúdos sobre planejamento estratégico, governança e papel dos conselhos, além de discussões sobre gestão de riscos, integridade e implementação de programas de compliance. Também aparecem abordagens mais operacionais, como definição de indicadores, avaliação organizacional e uso de ferramentas para qualificar processos administrativos e financeiros.

Outro ponto presente é a responsabilidade dos gestores diante de um ambiente cada vez mais regulado, com debates sobre transparência, controles internos e riscos trabalhistas, incluindo temas como saúde mental e gestão de equipes. A programação inclui ainda reflexões sobre modelos de gestão, desenvolvimento de lideranças e fortalecimento de equipes, considerando os desafios cotidianos enfrentados pelas organizações e a necessidade de alinhar estratégia, cultura institucional e capacidade de execução.

Serviço

FIFE 2026 – Fórum Interamericano de Filantropia Estratégica
Data: 14 a 17 de abril de 2026
Local: Centro de Convenções de Pernambuco - Olinda/PE

www.fife.org.br
 
 
 
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