Abertura do evento, que reúne empreendedores e investidores globais para impulsionar a nova economia de base florestal, contou com a participação da secretária nacional de bioeconomia e seguiu com uma série de painéis sobre temas como escala, financiamento e ciência e ancestralidade; potencial econômico do bioma amazônico é estimado em aproximadamente US$ 140 bilhões
Em um momento em que se discute exploração de minerais críticos e novas fronteiras de combustíveis fósseis nos territórios da Amazônia, é preciso assegurar que a floresta esteja no centro do debate sobre o futuro. Por que não há bioeconomia se a árvore estiver no chão, nem desenvolvimento sustentável com crise hídrica. Esta foi a tônica da abertura da terceira edição do Bioeconomy Amazon Summit (BAS), que começou na manhã desta terça-feira, dia 12 de maio, em Belém (PA).
“Os povos dos territórios da Amazônia têm demonstrado reiteradamente que se a floresta, o conhecimento sobre ela e que advém dela não entrar na conta do desenvolvimento do Brasil, não haverá desenvolvimento possível nos próximo anos, em nenhum lugar e para ninguém”, disse Guilherme Manechini, CEO do evento, em seu discurso de abertura.
As condições para o desenvolvimento de uma nova matriz econômica, com participação mais expressiva de negócios sustentáveis e regenerativos, têm melhorado, ressaltaram outros participantes da cerimônia. Atualmente, o Brasil conta com políticas públicas nacionais, estaduais e locais de apoio e fomento ao setor. Só no país, o potencial econômico do bioma amazônico é estimado em aproximadamente US$ 140 bilhões, até 2032. Mas ainda há desafios importantes a serem vencidos, em diversas frentes.
“Quando a gente vai construir políticas públicas, se a gente não conhece essa realidade, trata de coisas muito genéricas e, muitas vezes, não entende porque algo não está dando certo”, disse Carina Pimenta, secretária nacional de bioeconomia, ligada ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. “São experiências como a dos empreendedores e das comunidades que estão aqui presentes que ajudam a gente a fazer as coisas realmente”.
Segundo Carina, a bioeconomia hoje é um movimento que está em pleno andamento na região, resultado de muitas parcerias entre o setores público e privado, a sociedade e empreendedores. “O plano nacional de desenvolvimento da bioeconomia foi lançado agora em abril, mas é fruto de uma discussão enorme, que ocorre desde 2023, com diferentes atores, nos diferentes contextos do Brasil. E não haveria outro jeito de fazer, senão entendendo essas realidades, estudando essas questões, colocando os problemas e tentando buscar soluções que ajudem a gente a superar gargalos históricos”, diz.
O Pará é um exemplo. De acordo com Camille Bemerguy, secretária adjunta de bioeconomia do Estado do Pará, já investiu mais de R$ 1 bilhão no setor. Segundo ela, o governo paraense tem construído políticas públicas, instrumentos financeiros, ambientes de inovação e articulações institucionais para impulsionar a bioeconomia como eixo estratégico de desenvolvimento. “O grande desafio não é mais provar que a bioeconomia importa. O desafio é de escala de financiamento, de infraestrutura, de inovação, de mercado e, sobretudo, de escala de inclusão. Precisamos garantir que os recursos financeiros cheguem aos territórios, que o capital dialogue com a realidade amazônica e os pequenos negócios possam crescer sem perder sua identidade territorial e socioambiental. E que a Floresta em pé, seja de fato, mais valiosa que qualquer alternativa predatória”, disse.
Para Rafael Kamke, diretor executivo de economia verde, da Fundação Certi, o caminho está dado. “Agora, é trabalhar mais do que nunca, para fazer acontecer. Para que, no final, a gente consiga ter uma atividade econômica que conserve a floresta em pé, regenere a floresta e inclua as comunidades e populações locais, de forma justa, nas atividades e oportunidades econômicas geradas”, afirmou, em sua fala na abertura do BAS 2026.
Estiveram presentes ao evento de abertura também representantes de alguns dos principais agentes de fomento da América Latina e de organizações multilaterais financeiras, como o Banco Mundial, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a Agência Francesa de Desenvolvimento e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Criado em 2023, por KPTL e Kyvo, o BAS vem se consolidando como hub de convergência. O objetivo do evento é facilitar o compartilhamento de soluções em bioeconomia geradas por empreendedores amazônidas, acelerar negócios e inspirar novas iniciativas baseadas na biodiversidade pan-amazônica, que conectem tecnologia, ciência e saberes tradicionais.
Em suas duas edições anteriores, o BAS projetou soluções de mais de 300 empreendedores amazônicos para o mercado internacional. E, nesta edição, conta com a participação de mais de 130 startups, além de 60 instituições, 30 representantes de comunidades tradicionais, entidades e iniciativas com projetos em diferentes frentes, que vão de financiamento sustentável, inovação territorial, cadeias produtivas, reflorestamento e cultura, entre outras.
O Bioeconomy Amazon Summit é uma realização do BAS Convergence Hub em parceria com o Jornada Amazônia, com a co-realização da Fundação Amazônia Sustentável e do projeto Sustenta e Inova, coordenado pelo Sebrae Pará, com parceria do Cirad, Embrapa e IPAM, e financiamento da União Europeia. E o BAS conta com o patrocínio do Governo do Pará, Fundo Vale, Amabio e Instituto Itaúsa, e é apoiado por ABDI, Amazon Investor Coalition, Athias Soriano Advogados, BID, Carrefour, Cesupa, DIBB, ERM, Fiepa, IPAM Amazônia, Itaipu Binacional, Jundu, KFM, KPTL, Kyvo, MCQ Law, Natura e Viga.
Serviço:
Bioeconomy Amazon Summit
Data: Dias 12, 13 e 14 de maio de 2026
Local: Parque de Bioeconomia e Inovação da Amazônia - Estação das Docas - Belém/PA
https://bioeconomyamazonsummit.com/ |
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