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Convenção Sul Brasileira de Medicina Estética acontece em Curitiba

22/09/2026
Convenção Sul Brasileira de Medicina Estética acontece em Curitiba

Canetas emagrecedoras, segurança e novas fronteiras da estética estarão no centro de encontro médico

VIII Convenção Sul Brasileira de Medicina Estética reúne especialistas nos dias 25 e 26 de setembro para discutir mudanças que já chegaram aos consultórios: da perda rápida de peso à busca por naturalidade, e temas em que inovação exige evidência, indicação e manejo de riscos

A popularização das canetas emagrecedoras criou uma nova demanda nos consultórios estéticos: pacientes que perderam peso rapidamente e passaram a conviver com flacidez, redução do volume facial e mudanças no contorno do rosto. Ao mesmo tempo, o avanço de tecnologias, injetáveis e abordagens regenerativas ampliou as possibilidades de tratamento — e também a necessidade de discutir limites, evidências e complicações. São questões que saíram do campo das tendências e já interferem nas decisões tomadas diariamente por médicos e pacientes.

Esse cenário estará no centro da VIII Convenção Sul Brasileira de Medicina Estética, que acontece nos dias 25 e 26 de setembro, em Curitiba. Organizado pela Associação Brasileira de Medicina Estética (ABME), o encontro reunirá médicos de diferentes regiões do Brasil e palestrantes internacionais para dois dias de discussões sobre procedimentos injetáveis, tecnologias, medicina regenerativa, segurança, complicações, anatomia, diagnóstico por imagem e mudanças no comportamento dos pacientes. A programação prevê palestras, workshops e discussões clínicas.

Para o médico Eduardo Santos Lima, presidente nacional da ABME, a relevância do encontro está justamente em colocar sob análise mudanças que avançam em velocidade diferente: de um lado, novas tecnologias, produtos e demandas chegam rapidamente ao consultório; de outro, o médico precisa decidir o que incorporar, para quem indicar e quais limites devem ser observados.

“Atualização não é simplesmente conhecer o que acabou de chegar ao mercado. É conseguir discutir indicação, evidência, segurança e o que aquela técnica efetivamente acrescenta à prática médica. Em uma área que muda tão rapidamente, o conhecimento científico precisa acompanhar a inovação”, afirma Lima.

O efeito das canetas emagrecedoras chegou à estética

Um dos exemplos mais recentes dessa transformação é o impacto da perda rápida de peso sobre a face e o corpo. Segundo Lima, houve aumento da procura por tratamentos para flacidez e rugas entre pacientes que passaram por emagrecimento importante. A redução da gordura facial pode afetar estruturas que participam da sustentação dos tecidos, fazendo com que novas queixas apareçam depois da perda de peso.

O assunto será abordado pela médica Carolina Passamani, que apresentará a palestra “Revertendo ‘Ozempic Face’: Protocolos para Restauração de Volume e Flacidez em Pacientes com Rápida Perda de Peso”. A discussão não se limita a como tratar essas alterações: envolve também o risco de tentar compensar rapidamente a perda de volume com intervenções excessivas.

“As canetas mudaram o perfil de uma parcela dos pacientes que chegam aos consultórios. A perda de peso pode ser rápida, mas isso não significa que a resposta estética deva ser igualmente imediata ou baseada apenas em devolver volume. É preciso avaliar o que aconteceu com os tecidos e definir a estratégia para aquela pessoa”, explica Lima.

Segurança entra na pauta antes da complicação

Outro eixo da Convenção trata de um tema menos visível nas redes sociais, mas decisivo na prática médica: o que acontece quando um procedimento apresenta uma intercorrência.

Complicações isquêmicas, necroses, infecções, fibroses, nódulos, queimaduras e alterações neurológicas estão entre os riscos que, segundo Lima, ainda podem ser subestimados pelos pacientes. Para ele, escolher quem realizará um procedimento também significa considerar a capacidade do profissional de reconhecer e conduzir uma eventual complicação.

“Quando alguém avalia um procedimento estético, normalmente pergunta sobre o resultado e o tempo de recuperação. Uma pergunta igualmente importante é: se houver uma complicação, esse profissional está preparado para reconhecê-la e tratá-la? Segurança não começa depois que alguma coisa dá errado. Ela começa na indicação e no planejamento”, afirma.

A programação traduz essa preocupação e aborda o tema em diferentes frentes. A médica Luciana Braga Campiolo discutirá riscos ocultos das injeções de preenchimento supraperiosteal; Luciana Akemi Takahashi, radiologista do Hospital de Clínicas da UFPR, abordará quando indicar ultrassom dermatológico na Medicina Estética; Keyla Klava Pujol falará sobre remoção de nódulos e preenchedores com laser subdérmico. E, o médico peruano Frank Zegarra apresentará ainda uma discussão sobre manejo de complicações com terapia hiperbárica.

Entre a promessa e aquilo que já pode ser sustentado

A velocidade da inovação também estará em debate. Exossomos, peptídeos, nano e microfat e outras estratégias associadas à medicina regenerativa vêm ocupando espaço crescente nas discussões da área, mas carregam diferentes níveis de evidência e aplicabilidade clínica.

Essa distância entre novidade e prática será explicitamente discutida na palestra do médico Rafael Perin Arpini, “Medicina Regenerativa na Estética: Entre a Promessa e a Realidade Clínica — peptídeos, exossomos e o futuro da regeneração cutânea”. Já Fernando Carvalho abordará a aplicabilidade de exossomos autólogos e sintéticos, enquanto Arthur Pimentel discutirá lipoenxerto enriquecido com estroma.

“Nem tudo o que é novo está pronto para ser incorporado da mesma maneira à prática. Um encontro científico também precisa ser espaço para fazer perguntas, comparar experiências e reconhecer onde ainda existe controvérsia ou necessidade de evidências mais consistentes. Esse filtro é tão importante quanto conhecer uma inovação”, diz Lima.

Naturalidade também passa a ser discussão científica

A programação reflete ainda outra mudança que ganhou força entre pacientes: a reação aos resultados excessivos e à padronização dos rostos. Dentro dessa temática, o médico André de Campos Cerqueira discutirá como utilizar preenchimentos com bom senso e naturalidade. e, Juliana Barreto abordará o conceito de Quiet Beauty e o papel das tecnologias não ablativas, enquanto Luis Antônio Soares Pires apresentará uma discussão cujo próprio título resume a mudança: “Menos exagero, mais regeneração e naturalidade”.

Para Lima, esse debate vai além de uma preferência estética. “O paciente não deve sair de um consultório com o rosto de uma tendência. A Medicina Estética precisa considerar anatomia, fisiologia, envelhecimento e individualidade. Saber fazer um procedimento é fundamental, mas saber indicar — e saber quando não fazer — é parte da mesma responsabilidade”, afirma.

Um encontro voltado a quem está tomando essas decisões no consultório

A VIII Convenção é destinada ao público médico e busca aproximar atualização científica e situações concretas da prática clínica. A programação inclui ainda ultrassom microfocado, radiofrequência microagulhada, laser de CO2, endolaser, biolifting, preenchimentos, bioestimulação e discussões jurídicas relacionadas à atuação profissional.

A presença de especialistas internacionais ajuda a ampliar o intercâmbio científico. E, para que isso seja possível, entre os convidados estão médicos da Espanha, Peru e Paraguai, além de profissionais de diferentes estados brasileiros. Para a ABME, que mantém interlocução com entidades internacionais e promove atividades de atualização profissional, o encontro retoma uma tradição de convenções regionais da entidade.

Eduardo Santos Lima tem 20 anos de atuação, coordena cursos de pós-graduação médica, integra o Conselho Superior da Sociedade Portuguesa de Medicina Estética e participa do Comitê Científico dos Congressos ASIME. Para ele, concentrar profissionais com experiências distintas em torno dos mesmos problemas tem uma consequência prática.

“Quem participa não vai encontrar apenas uma sequência de técnicas. A proposta é discutir problemas que o médico encontra no dia a dia do seu consultório: o paciente que emagreceu rapidamente, aquele que chega influenciado por uma tendência, a complicação que precisa ser identificada, uma tecnologia nova que exige avaliação crítica. O valor de um encontro científico está em sair dele mais preparado para decidir qual o melhor tratamento ou abordagem que devemos tomar em cada caso”, conclui.

Serviço

VIII Convenção Sul Brasileira de Medicina Estética
Data: 25 e 26 de setembro de 2026
Local: Teatro UP Experience - Curitiba/PR

https://eventosabme.com.br
 
 
 
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