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Estudos que serão apresentados em Congresso da Socesp revelam aumento do tabagismo durante a pandemia

10/06/2021
Estudos que serão apresentados em Congresso da Socesp revelam aumento do tabagismo durante a pandemia

Estatísticas apontam que quem fuma tem o dobro de chance de precisar de intubação, quando infectado pelo coronavírus. Método “fumar de castigo” será apresentado no evento e se mostrou ainda mais eficiente em consultas realizadas de forma on-line

Uma série de pesquisas que foram reunidas sobre o tabagismo durante a pandemia de Covid-19 será apresentada no 41º Congresso Socesp, em junho. Dados nacionais, como da Fiocruz, mostraram que cerca de 33% dos fumantes brasileiros (que representam 12% da população) aumentaram o uso de cigarros durante a crise sanitária. Enquanto isso, 12% relataram fumar menos e 54% seguem fumando a mesma quantidade. A alta foi maior entre mulheres e indivíduos com ensino médio incompleto. Na próxima segunda-feira (31 de maio) celebra-se o Dia Mundial sem Tabaco.

“O sentimento de isolamento, tristeza, depressão, ansiedade, medo, pior qualidade de sono e perda de rendimentos foram algumas das justificativas para o acréscimo na quantidade de cigarros consumidos”, conta a assessora científica da Socesp e conferencista do evento, Jaqueline Scholz. Ele lembra que, na Itália, o tabagismo também cresceu 9,1%, desde o início da pandemia. “Historicamente, tanto na Itália como nos Estados Unidos, há comprovações de maior consumo de tabaco durante recessões econômicas, atribuídas a problemas financeiros e de desemprego”, completa.

Já na Austrália, cuja prevalência de fumantes é similar à brasileira, com 11%, não houve mudança radical no comportamento e o aumento entre aqueles que já fumam foi de apenas 6,9%. “Porém, ocorreram outras mudanças negativas entre os australianos, como diminuição da atividade física (48,9%), piora do sono (40,7%) e mais ingestão de álcool (26,6%)”, destaca Jaqueline Scholz.

Estatísticas em várias nações apontam que quem fuma tem o dobro de chance de precisar de intubação, quando infectado pelo coronavírus, na comparação com quem não fuma. Isso acontece porque o tabaco inflama as mucosas das vias aéreas e prejudica os mecanismos de defesa do corpo, fazendo desse grupo um alvo fácil para infecções.

Fumar de castigo

A cardiologista é também diretora do Programa de Tratamento do Tabagismo do Incor e desenvolveu um método comportamental inédito, associado ao uso de medicamento, para quem deseja parar de fumo. Os primeiros resultados do programa que, pela relevância, foram apresentados no Congresso da American Heart Association, serão mostrados, pela primeira vez no Brasil, no Congresso Socesp 2021, de 10 a 12 de junho.

“Batizado de “fumar de castigo” o método libera o paciente para fumar quando tiver vontade, a partir do oitavo dia de uso da vareniclina, desde que cumpra algumas regras rígidas: fumar sozinho, em pé, olhando para a parede, sem distrações como celular, TV, alimentos ou bebidas”, explica e ainda complementa a especialista: “trata-se de uma forma de dissociar o ato de fumar com atividades prazerosas, sem a presença de qualquer gatilho que motive o vício”.

Desde 15 de março do ano passado, a equipe da cardiologista tem oferecido aos fumantes que procuravam tratamento a opção de atendimento remoto, mantendo a opção de consultas presenciais, sendo que todos os pacientes foram tratados com o mesmo protocolo. A única diferença entre as modalidades foi a impossibilidade de realizar a medição de monóxido de carbono (monoximetria) nas teleconsultas.

Entre os pacientes acompanhados de forma presencial a média de idade foi mais elevada que no grupo on-line. “Os mais jovens estão mais familiarizados com uso da tecnologia”, constata. A taxa de sucesso foi de 63,6% no grupo presencial e de 71,4% no on-line. Entre os pacientes que efetivamente iniciaram o processo, mas não conseguiram parar, a taxa foi 9% no presencial e 14% no remoto. Já o percentual dos que pararam de fumar, mas recaíram antes de completar 52 semanas foi de 27% entre os que foram até o consultório e 14% para os consultados de forma on-line. “Diante destes dados, podemos concluir que a efetividade do programa não foi prejudicada pelo atendimento via telemedicina, que foi a principal forma de tratamento durante a pandemia”, ressalta Jaqueline Scholz.

O número de fumantes brasileiros foi reduzido em 40%, nos últimos anos, cumprindo metas indicadas pela Organização Mundial da Saúde. Entre 171 países, que aderiram às medidas globais da OMS, apenas o Brasil e a Turquia implementaram ações bem-sucedidas. “Estamos no caminho certo, mas ainda há muito o que ser feito”, conclui a assessora científica da Socesp.

Serviço:

41º Congresso Virtual da Socesp
Data do evento: 10 a 12 de junho 2021
Tema: Terapias para o tabagismo
Palestrante: Jaqueline Ribeiro Scholz
Data: 10/06/2021
Horário: 18h30

http://socesp2021.socesp.org.br/
 
 


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